quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Pata de coelho

Ilumino você sob a chuva
crucificando a distância
no gole desesperado que seguro na garganta
quando a borboleta entra pela janela
Semi nua nas minhas mãos se torna
Das pernas íngremes curvando meu ego
da boca
o meu túmulo 
ao meu paraíso
de cada grito abafado 
as derrotas do dia
gotas que são tempestades
tempo que os ponteiros não medem

domingo, 23 de novembro de 2014

Aros de aço

Se prometesse nunca sair
rastejante sob meus pés
abriria a cabeça com 12 intenções
para ser motivo de todos seus sonhos

Nós que batemos contra o tempo
ausente num jornal de domingo
fazemos nossas preces ao acordar
enforcando-nos nas xícaras de café

Adormeço sob suas pupilas
acariciando minha derrota
se no teu trago viro fumaça
quero ser sempre os bocejos

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Ritual

faço a despedida com lírio e carmim
pondo meus meses nos olhos alheios

desapareço

quero o suco da terra
o soco de deus no ego desmoronado

bate palma a vadia que mais amei
meu bastardo nos braços de quem ele reconhece como
pai

reluz o último sol na montanha
me brinda pagã com teu corpo

sinta minha ausência
no rótulo gasto da garrafa
injusta a terra
que cultiva os melhores amores
desses que se olham
e pedem para deixa-los ir