sábado, 23 de agosto de 2014

Abortos diários

Um bebê abandonado na lixeira implorando braços

Quer as tetinhas de um mundo que só existe no papel

quando o sol se aproxima e queima a pela ele pensa  que é papai erguendo-o

quando aprende a desejar
mamãe torna-se chuva de verão

Um bebê que pula do galho fugindo da ditadura de deus nas alturas

Que anseia o colo farto de uma sinceridade que só vem antes de uma queda

Tirado e retorcido em algum noticiário onde a primeira lição já foi aprendida

Posto na incubadora de hipocrisia coletiva ele aprendeu a sonhar como deus

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Longínquo

Dessa terra em meus pés
Sob o cinza inerte da minha fé
Em madrugadas frias de porre
Em manhãs quentes por pura sorte

dois dedos garganta abaixo até o vaso sanitário

Pressão no meu escroto para minha santidade

A desordem em vestidos brancos torneando as pernas vistas por baixo
A paz no gosto amargo
de luto ao suicida apaixonado

A bílis é o anjo entendiado com o corpo
o corpo ausente pedindo conforto
A íris diminuindo o redor
O redor atando o corpo