segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Sem título

Um jeito certo de viver separado
um nó na garganta?
fique com um talvez
um por acaso se houver
não nego o vazio
enxergo menos do que devo
se conseguir prender o ar nos
pulmões
não o faça
estilhaçado
e a bomba não explode?
a última que nos resta
melhor colocar no cu da criação

Escrito aos meus 15 anos quando
meus ossos não eram tão pesados

domingo, 29 de dezembro de 2013

Gaiola

Se eu pudesse
escolheria ser um pássaro desdenha do peso do tempo
e não fingi com mais de um

A carne desprendida dos ossos

Um pesadelo ruim a cada dia
não consigo dormir
a ausência em uma ressaca
sempre tão constante

ninguém olha quando questiona
falência do tempo num minuto
queria os nossos nós
nosso suor e cansaço

bocas cheias
do meu e do seu
tardes quentes me enterram
Eu arranco os olhos
ponho de molho em lembranças

Tenho um abismo e mesmo assim
não caio
por não querer ou não ser capaz?
esbarro a cidade grande no reflexo
anterior
deixei um mar no concreto

E  pela manhã o café tem açúcar
amargo do cotidiano parece um
teatro
desformo a perspectiva sobre essa
história
principal é sentir segurança
quando não se tem

Riram do cinza dos meus ossos
nenhum aperto senti contra eles e
pôs se o sol envolto

sábado, 28 de dezembro de 2013

De copo vazio

Ao gosto que falta
embriago os ossos
sob densa camada natal
glória e desepero
se sou eu ainda aqui
olhe uma manhã
eu não encaixo
insiste o tempo e a vontade alheia
urra ao gosto que não sou mais
chega o exausto pensamento
tudo agora recém perdido
o que havia antes que falta agora?
é desespero no lugar do sonho.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Tonteio nas pernas dela

Atravesso a rua
tonteio até a outra calçada
sob a lua sou visto
e não encontro

famintos cães no cio
mios de gatos apaixonados
correndo atrás
com a corda no pescoço
só os demais

verão é uma estação  cinza
onde desaba por acaso
a montanha batendo no peito
quem dera te mostrar pontiagudas verdades

migalhas ao invés de sonhos
insônia saciada num hotel
prendendo o ar
cortando a corda

amanhã é só mais dia

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Paroxismo do eu interior

Alguns nascem com um caminho que não podem ver

outros pegam o mais fácil

e eu fiz o meu próprio

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Cenas do paraíso (04/10/2008)

Ei!
Não se mexa!!!
latiam alto como cachorros
muro grafitado de negro
um círculo e três traços
ele correu
correu
correu
em vão olhar para trás
passos em em 3-d
ligeiros no asfalto
o engatilhar das armas
sendo enfiados nos ouvidos
o primeiro disparo
o segundo disparo
o terceiro...
do ombro o sangue saiu quente
pregou os olhos no fim
logo atravessaram todo o corpo
CAÍDO!!!
Seis em volta dele
com cuturnos bem engraxados
riram alto enquanto a vida saía
em borrões vermelhos sob o sol
um tira a queima roupa fazendo-a em pedaços
morto...
morto...
MORTO

sábado, 21 de dezembro de 2013

88

Sem expectativas de que o amanhã
não seja um tempo medido, o tempo
ausente desde 88.

O antes imaginavel é bebido em
desespero no silêncio cruel e
aconchegante de pós 88

Via-se montanha abaixo motivo pelo
qual as lutas questionadas tinham
sentindo

Via-se na volta a certeza de que era
o mínimo e suficiente possível que
algo bom era feito

Quem pode julgar ou apontar as
pontas dos dedos contra quem
unicamente sabe que da derrota o
motivo para se levantar é maior?

Você levanta todos os dias sob os
restos ficiantes de qualquer
pesadelo, quantas questão injustas
reunidas em olhos e ossos

Crime é mentir para um e outro,
andar sem propósito e calar por ser
mais válido

É um dia, às 15h sob um tempo
medido desde 88

Eu continuo com a vontade maior do
que qualquer perdar, com a mão
fechada para apertos

Um homem só ama uma vez depois
disso é só ilusão

Minimamente, Vitorino.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Esquivas Madrugadas

Poderia tomar outro caminho
sem pensar em chegada
meus pés que sustentam todo um
tempo
sob a terra é um flerte com a morte
poderia manter as mãos juntas
só que não vejo perspectivas me
provendo
eu sinto esses dias como uma piada
ruim
pela manhã exalto menos do que
posso

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Porém

Deprime-me o gargalo com a última gota que cai boca a dentro de desesperanças caladas que quando ditas são em desespero.

Esqueço.

domingo, 27 de outubro de 2013

Herança

Meu avô odiava pessoas e quando minha avó morreu, só lhe sobrou ódio ainda mais aos alheios. Mamãe contava histórias de como o velho se tornou mais rabugento do que era.

"Uma pinga, uma briga e uma trepada" Berrava naquela terra tão sua e de ninguém mais.

Mas acho que ele tinha sido feliz no começo.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O homem mais feliz do mundo

Queria morrer no último mês
Mas só conseguia beber fora do calendário

Queria as noites desesperadas
mas só tinha manhãs de atraso

Eu não tinha nem meio fio
mas eu deitava em qualquer lugar

Das solitárias esperas
dos porres esporrados garganta abaixo

minha estrada é solidão
de anestesias em vidros

de bucetas dobrando amor
no cinza da cidade em mim

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Teor

Se eu pulasse da ponte
dos teus pensamentos para a realidade?
no que antes fosse nossa loucura?
eu caminho entre o cinza
e se pudesse me ver agora
com o orgulho de pé
não são essas suas lágrimas
das quais eu nunca irei me afogar
ninguém pode negar que eu tenha tentado
até mesmo tomar sol pelas manhãs

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Das Serras Enevoadas De Petrópolis

Da infância recém partida em ossos
sobrepondo-me ao cinza
algozes todos os meus anos
mas eu cheguei sem frutos
desbotada a pele que brinda hoje
goela abaixo menos 1
e então eu lembrava dos lírios
vovó cultivando-os aos domingos
arrancandos quando o fim chegou
perpetuando a sina em quedas
no silêncio a voz rompeu
orgulhando-me do movimento
um arco em riste aos inimigos
ferindo?
O sagitariano
o último dos filhos
em oposição ao certo
imigrante meu sangue
que ainda não derramado
anseia a alma mais famélica
só minha
olhando petrópolis
não se decomponhe

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Os incontáveis dias no alto da montanha

Queria boca
entre areia e fermentação
de longe era só uma escultura
bem acabada em um dia de sol
orei ao tempo inexistente
sacrifiquei o ego
era aquela canção antiga
sobre bombas e corações

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

De samba quase nada

Te chamo de nega deitado no sofá
é almoço de domingo
e a preguiça vem propor
boca que é minha
suspiro que é seu
fim de tarde e só quero dizer:

vem nega
vem ver estrelas no meu colo
vem sorrir das coisas bobas
vem nega
me chamar de moleque
te faço mulher num balanço

É sempre domingo com teu sorriso
contra meu mau humor
faço um verso
com um copo na mão
pra poder dizer que te amo
te pegar sozinha na sala
te amar do máximo ao mínimo
vem deitar nega
garrafas ditam a regra
se é pra amar
que seja logo

sábado, 14 de setembro de 2013

Antes copo do que coração

Eu tenho pedras em mãos
e desespero em forma de silêncio
bebo meu amor pela goela
arranco com fio dental a carne que o cerca
quem me ver chorando longe
de perto é mais um bebum
com olhos castanho claro sob o sol
queria não poder querer
laço no pescoço sem terno
vestimenta é só meu corpo
ilumina aqui para quê?
o sol levanta e desce
eu de pé com essa sina
vai chover no fim da tarde
vai ter fim em alguma tarde

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Dançante

Na gota clichê pendurada no pescoço
fortifica o fim de uma geração
beleza do último dia em que estamos
eu dancei sozinho no salão de festas

1... 2... 3..
Rodei e pirei
1... 2... 3..
Derrota e meu melhor saía

Enlatados numa caixa não podemos sonhar
perca o chão por um segundo e ele abraça
não mais consciente e tudo para baixo
eu continuei dançando quando a música parou

1... 2... 3...
Eu não via ninguém
1... 2... 3..
Permanecia contando um e outro

domingo, 1 de setembro de 2013

Sonora Cafeina

Um dia amor, foi mais que iludir sua ausência nesses úteros de areia

Talvez amor, eu não devesse ter feito das tripas coração quando o corpo perdeu o gosto e ser estranhos era ser feliz

Amor, quem de nós dois ainda não deu uma olhada para trás e pensou numa chance a mais?

É sempre verão amor, teu humor anda de ralo abaixo e sabe que aqui é inverno nos ossos e em todo resto

Os meses que passam como soro no braço como antes

A carne alheia na boca como roupas usadas de um defunto

E ainda amor, eu conto nos ponteiros o tempo que não temos mais

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Lágrima negra

Afasto como areia incandescente
nos nós que dão forma a beleza
só os olhos inertes permitem
o cio da visão sob o ego
optando pela direita
arrastado pela esquerda
mofo ideológico na tv
jornais com sangue jovem
nas propagandas os que já nascem violentados
desespero
na ponta da flor

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A ausência de cinza sob o sol

Eu não poderia mentir enquanto
sol

perturbação no meio das pernas

O que acha ser amor no coração
é um órgão bombeando sangue

Tripas, muco e sêmen

Ah, deus que não me ouviu por muito tempo

Fiz barulho

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Vida

Sem tempo medido

A inércia dos velhos
A quietude juvenil

O abraço tem que vir do poço
Olhar e saber que há poça

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O intocável rude

Triste o homem que rouba o esforço
que nega o suor e o drama do outro
Triste o homem que mal sabe falar
faz uso da linguagem de livro fechado

Me ponho a golpear com esse seco continuo
com o mínimo possível de não querer cadeira
Nem areia sob meus pés fizeram diferença
quem margeia o pé da montanha não pode ter névoa

domingo, 14 de julho de 2013

Copo de leite

Quando amor é bilis
quando a noite tenta
no amanhecer sou velho
garganta abaixo
não desate
é figura oculta
na boca que há
veneno nos ossos
gozo sem querer
toco na fonte
às vezes sangra
como uma corda
no pescoço de mais um
as mesmas unhas
nos pentelhos cantam
a mesma boca
do copo se serve
dê uma manhã
ao corpo com fim

domingo, 30 de junho de 2013

D4

Parece uma flor ao vento
enquanto chama mansa
cheiro teu começo
e minha língua busca  
o polen de mulher feita
dedos abrindo o vão
seguro pelo cabelo
tudo de uma vez
terra molhada
bato com força
querendo raiz
entre um
entre outro
por infinito
não era dor ouvida
uma suplica em estreitos
múltipla chuva interior

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Oração óssea

O cru dia azul
que se cultiva
desgostos em silhuetas
em ritmo forte
cabe na boca a paz
a ilusão de bem estar
pondo a corda gasta
pendure-se numa segunda
Belly é ouvido de copo
pôr mais gente do que se vê
amém, ossos

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O fim acompanha um cão

O copo se desprende
ao chão estilhaços de uma vida mal contada
late o cão faminto na porta
como se dissesse:
"Não se atrase"
olho o relógio e a madrugada impera
vultos inertes sobre o coração cinza
não abraçam o velho pó de si mesmos
saio e o cão me segue
falo para ele como podemos nos divertir
ele conhece os becos de nada adianta
os berços nas calçadas ensinou-o bem
a última garrafa de boca aberta vai
todos os pulgueiros fechados com vício dentro
perguntei sobre as vadias de família
o cão me olhou e eu soube a resposta
tudo fechado e até eu mesmo
"Por tempo demais" o cão disse
eu não estava me importando
era mais um daquele clichê escroto
estava cansado de todo
ficava imaginando meu amor feliz agora
o cão latiu

terça-feira, 4 de junho de 2013

Mergulho

Queima bela na garganta
te faço única quando há tato
Contorce com dois dedos
suspira um não/sim
são nossas garrafas ao chão
na meia luz
a carne quente cheira
na ausência de qualquer tempo
boca contra
aos recém aparados pentelhos
pula em mim como pula em um rio

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Ressaca sob o sol

Torpe se torna
medido em horas
porre maria
cruzando as pernas
o sonho interno
jorrado da boca
do plástico preso
garganta seca
num passo esqueço
minha ida só
recosto o corpo
copo enloquecido
o porém sob sol
rio sozinho vendo formigas
graça maior é segurar
uma noite inteira sob o sol

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Copo menina

No meu copo menina
sem querer
te mexo de um lado
foge e me olha
é a carne que a boca quer
mas sonhos mais para noite só
contrastes de corpos enloquecidos
quando pedir que venha
te tomarei inteira pela boca
resisto de copo em pé
goteja os porres que quero dar
menina, ainda seguro um gole

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O mineiro

O homem feito de verso
cheirando a queijo
que cabe no mínimo
se expande e ao longe sempre
O homem feito de verso
cheirando a queijo
que com um fruto seco em mãos
num gole para não ter depois

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Vulvas

Na maioria das vezes elas acabavam no meu copo, todas com suas cobranças e estampadas com "não dá mais". Eu enfiava os dedos e mexia de um lado a outro e cada gota que caía contra a mesa era uma lembrança, não eram boas por todo ou completamente inúteis, tinham algum peso que não era para minha cabeça carregar agora. Olhava as garrafas como pernas de antes, você saía delas chorando e uma mulher o pegaria no colo e você se sentiria protegido, em outras você forçava a entrada, gozaria e se desse tudo certo, estaria choramingando pelos pentelhos que não colocaria mais a boca. Muitos caras acabavam de baixo da ponte por causa disso, tinha lido e aprendido.
Mais uma garrafa sem saber o que poderia me decepcionar, isso dava gosto, dava prazer e eu com tudo isso? Continuei respirando.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Exalando cinza mais vez

Não há clichê em uma reta
Há o impacto da carne
Sob o tempo hipócrita
Toda e qualquer harmonia
Desata o nó que insiste
Prendido o ar cinza
como pássaros engaiolados
Mesmo sob o sol
Ossos frios são esquecidos
Humilhante sem porém
Quer tocar o céu
Vê dentro da garrafa
Resquícios que vão
Exale mais vez...

Por esses dias

Amaciar meus ossos
ao pó que exala
não querer por perto
tantas horas de um dia
bueiro nas pernas
momentânea vida
motor na caixa óssea
dando partida na lágrima
sufoca a primeira
deixe a segunda misturar
copo vazio em mãos
olhos mortos caindo
tínhamos tempo certo
foi querer ter perto
se foi para longe os nós

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Goles ao cair

Eu sento e abro a primeira lata
em dois ou três minutos termino
mas ela não fica vazia
há o medo bem no fundo
eu abro a segunda e penso em pássaros
num instante acabo e rio da liberdade deles
mas ela não fica vazia
há o medo bem no fundo
eu perco a conta e seguro o choro como criança
ausência de tempo e os pássaros riem de mim
transborda cada palavra não dita
há o medo bem no fundo
encosto a cabeça
a deixo cair quando não dou por mim
horas parem de seguir eu penso
um ponteiro indo
o que há agora?
toda partida é mais uma lata
e há um medo bem no fundo